clarice,
eu não quero ser só mais um número.
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2.11.11
25.10.11
23.10.11
vejam só vocês, hoje eu descobri que tenho algo em comum com Guimarães Rosa: tanto eu como ele lemos Clarice Lispector "não para a literatura, mas para a vida".
"que desejava ser útil às pessoas, ao Brasil, à humanidade, e nem se encabulava de usar para si mesmo palavras tão imponentes".
mas o que aconteceu é que a cada dia que passa sou mais encabulada, mais inútil e mais arrogante. e cuspo isso em palavras como se estivesse descrevendo meus méritos.
nem um bom jantar parece fazer sentido. nem a música. nem os meus filmes preferidos. nem os móveis novos e a fotografia da audrey hepburn ou os gatos com nomes de personagens do Tarantino: tudo faz eu me sentir não eu. não me enxergo em nada (e em ninguém). isso é arrogância e eu não quero ser sim, mas aí acredito que todos são um pouco assim e o fato de eu não querer sê-lo só me torna ainda mais. me sinto naquele pesadelo dos ratos sem ninguém pra me acordar domingo de manhã. e aí tenho nojo de mim por não saber dar valor à vida e à terra e à natureza. e sinto nojo de mim por ter me perdido em algum lugar no meio do caminho entre o querer ser, o dever ser e o ser. nem o que eu escrevo é de verdade. não está no papel, não tem a tinta da caneta nem a falsa sensação de eternidade - o descaso é escancarado (a palavra que eu queria usar não é descaso, mas essa soou bem, e efemeridade não é um substantivo dramático o bastante).
achei que eu precisasse de um objetivo, mas de repente todos eles me parecem bobos. acho que a boba sou eu. pensei em ir morar na praia. o gato chegou.
"que desejava ser útil às pessoas, ao Brasil, à humanidade, e nem se encabulava de usar para si mesmo palavras tão imponentes".
mas o que aconteceu é que a cada dia que passa sou mais encabulada, mais inútil e mais arrogante. e cuspo isso em palavras como se estivesse descrevendo meus méritos.
nem um bom jantar parece fazer sentido. nem a música. nem os meus filmes preferidos. nem os móveis novos e a fotografia da audrey hepburn ou os gatos com nomes de personagens do Tarantino: tudo faz eu me sentir não eu. não me enxergo em nada (e em ninguém). isso é arrogância e eu não quero ser sim, mas aí acredito que todos são um pouco assim e o fato de eu não querer sê-lo só me torna ainda mais. me sinto naquele pesadelo dos ratos sem ninguém pra me acordar domingo de manhã. e aí tenho nojo de mim por não saber dar valor à vida e à terra e à natureza. e sinto nojo de mim por ter me perdido em algum lugar no meio do caminho entre o querer ser, o dever ser e o ser. nem o que eu escrevo é de verdade. não está no papel, não tem a tinta da caneta nem a falsa sensação de eternidade - o descaso é escancarado (a palavra que eu queria usar não é descaso, mas essa soou bem, e efemeridade não é um substantivo dramático o bastante).
achei que eu precisasse de um objetivo, mas de repente todos eles me parecem bobos. acho que a boba sou eu. pensei em ir morar na praia. o gato chegou.
13.10.11
10.9.11
8.9.11
2.4.11
20.3.11
11.10.10
primavera despertando
enquanto lá fora o mundo se acaba em gás carbônico, guerra, fome e miséria, aqui dentro a gente discute se as janelas devem ficar abertas ou fechadas.
27.2.10
28.1.10
2.1.10
15.10.09
7.10.09
3.10.09
29.9.09
28.9.09
23.9.09
"A gente percebe que algumas músicas perdem o significado conforme perdemos algumas pessoas; e percebe também que outras músicas não perdem o significado nunca, por mais que a gente queira."
se você vier pro que der e vier comigo
eu te prometo o sol, se hoje o sol sair
ou a chuva, se a chuva cair
se você vier até onde a gente chegar
numa praça, na beira do mar
num pedaço de qualquer lugar
nesse dia branco, se branco ele for
esse canto, esse tanto de amor, grande amor
se você quiser e vier, pro que der e vier, comigo
se branco ele for
esse pranto, esse tanto, esse tão grande amor, grande amor
se você quiser e vier, pro que der e vier
comigo
se você vier pro que der e vier comigo
eu te prometo o sol, se hoje o sol sair
ou a chuva, se a chuva cair
se você vier até onde a gente chegar
numa praça, na beira do mar
num pedaço de qualquer lugar
nesse dia branco, se branco ele for
esse canto, esse tanto de amor, grande amor
se você quiser e vier, pro que der e vier, comigo
se branco ele for
esse pranto, esse tanto, esse tão grande amor, grande amor
se você quiser e vier, pro que der e vier
comigo
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