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2.11.11
2.10.11
10.9.11
8.9.11
6.9.11
Clarice e eu
Clarice toma conta do mundo. ela toma conta de uma fileira de formigas desde que era menina. elas andam em fila indiana carregando um pedacinho de folha, o que não impede que cada uma, encontrando uma fila de formigas que venha de direção oposta, pare para dizer alguma coisa às outras. meus olhos correm pela folha de papel com pressa, devorando cada palavra como se eu já as tivesse lido e relido mil vezes, como se eu soubesse o texto de cor e salteado, como se essa não fosse somente a segunda vez que abro o livro no ônibus indo pra casa. e do nada já não consigo continuar lendo, minha visão fica embaçada e sem que eu perceba o sorriso nos meus lábios se confunde com o mar de lágrimas escorrendo pela minha face e as pessoas me olham, como se soluçar aos prantos no fundo do ônibus agarrada a um livro fosse algo tão incomum. mas aí já não sou mais eu, não me importo com os passageiros. sou a menina debruçada sobre a fila de formigas, chorando enquanto meu irmão mais velho pisa nelas e dá gargalhadas. e eu choro e soluço e choro e engasgo como agora, as páginas brancas marcadas por gotas d'água. eu também tomo conta do mundo, Clarice, só não tomo conta de mim mesma. carrego ele em cima do ombro esquerdo, com todas as favelas e com toda a poluição e com todas as formigas. eu também sou impulsiva, eu também quero melhorar. eu entendo quando você fala em tortura e glória. eu sinto mais do que entendo, mas sentir é entender, não é? eu sei como é caminhar todos os dias até a casa da filha do livreiro, toda a esperança amontoada entre os dedos, no céu da boca, será que é hoje? faço analogias malucas, Clarice: imagino que o menino na fila do suco, aquele que faz meu coração pular da faringe até o estômago, é o livro do monteiro lobato que eu quero muito muito mesmo ler, mas não tenho dinheiro pra comprar. e então vou até a casa dela todos os dias, porque ela prometeu me emprestar amanhã, mas amanhã ela nunca pode, amanhã ela sempre já emprestou pra outra pessoa e toda vez que o menino da fila do suco me olha eu penso "será que hoje já é amanhã?" porque quem sabe, Clarice, quem sabe um dia a esposa do livreiro não abre a porta e compadecida por eu ir na casa dela todas as tardes durante três anos pedir o livro emprestado, quem sabe, Clarice, ela não me olha e diz: "e você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entende, Clarice? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse é tudo o que uma pessoa, pequena ou grande, pode querer.
trechos em itálico do livro Aprendendo a Viver, de Clarice Lispector.
5.3.11
meetings and farewells
Send me some news from the world abroad
Tell me who is going to stay
Hug me and hold me tight
I'm arriving
Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
Tô chegando
What I like is to depart
Without having any plans
Better than this is to return
Whenever I want
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero
Everyday is a back-and-forth
Life repeats on the train station
Some people arrive and stay
Some people departs and never again
Some people come and want to go back
Some poeple go and want to stay
Some people just stand and stare
Some poeple are smiling, some are crying
And so, to come and go
They are just two sides
of the same journey
The train that arrives
is the same train that departes
The hour of the meeting
is also farewell
The platform of this train station
is also life on this place of mine
is life on this place of mine
is the life
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida
3.1.11
1.1.11
26.12.10
eunãoexistosemvocê
eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
que nada neste mundo levará você de mim
eu sei e você sabe que a distância não existe
que todo grande amor só é bem grande se for triste
por isso, meu amigo, não tenha medo de sofrer
que todos os caminhos me encaminham pra você.
assim como viver sem ter amor não é viver.
meu maior pedido nesse Natal é que isso seja pelo menos um pouquinho verdade.
5.12.10
champs-élysées
If you ever change your mind
About leavin', leavin' me behind
oh, bring your sweet lovin'
bring it on home to me
21.11.10
justlikebreath
quero que seja paixão, obsessão. quero cruzar contigo num café e receber aquele sorriso que me faz tremer dos pés aos fios de cabelo; quero sentir meus joelhos fracos enquanto você me abraça e beija e diz que não quer ir embora; quero ser um pouco Clare, mas quero que você não tenha de partir. quero desejar tua presença sempre; quero viajar e deixar tudo pra trás, mas quero que as mãos tocando o volante sejam as tuas;
quero que seja fácil e essencial como respirar.
quero que seja fácil e essencial como respirar.
11.10.10
primavera despertando
enquanto lá fora o mundo se acaba em gás carbônico, guerra, fome e miséria, aqui dentro a gente discute se as janelas devem ficar abertas ou fechadas.
1.10.10
Cinemática
Estou farta do lirismo comedido, do lirismo bem comportado, do lirismo funcionário. Estou farta dos roteiros encaixotados, das idéias amarradas, das letras em courrier new 12. Estou farta da fôrma, da forma, de idéia sem acento, do ambiente antes dos personagens. Estou farta do herói e sua jornada, dos pontos de virada, dos atos e entreatos e seus truques baratos. Estou farta da indústria, da história sempre igual, do enredo sempre igual, da fotografia, do som, da imagem, do filme, da emoção sempre igual. Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo. Estou farta dos próprios vocábulos, de todos os diálogos. Estou farta da falta de sorrisos, da falta de lágrimas, da falta de silêncios e seus ruídos. Quero ouvir os ruídos! Quero ver além da tela branca, da projeção, da luz, película, negativo. Quero ver além, quero um significado, uma mudança. Quero sentir uma emoção nova. Quero ser perturbada, não agüento mais essa passividade, esse olhar de espectador distante sentado na poltrona. Sentado na poltrona do cinema, sentado na poltrona do carro, o filme ali na frente, a vida ali na frente, o guri cantando brasil,mostratuacara e pedindo um trocado na janela do carro. Quero que assassinem a mocinha no meio do filme, quero espelhos paralelos e escadas infinitas, quero um cinema francês em chamas, quero antes o lirismo dos loucos, o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados, o lirismo dos clowns de Shakespeare. Quero um cinema de loucos, um cinema de bêbados, um cinema sem planilhas, um cinema que seja vida e uma vida que seja um pouquinho mais cinema. Quero me emocionar, quero uma reação de verdade quando um velho é pisoteado no meio da rua, quero sentir sentir sentir de verdade em meio a esse turbilhão de informações e de cores e de luzes e de sons que enchem o espaço mas não preenchem nem dizem nada, absolutamente nada! Quero me surpreender, quero ver as laranjas se transformarem em esferas de ouro e quero ver o guri da sinaleira não precisando cantar cazuza. Quero um cinema que se importe, que não use tanta folha pra fazer seus projetos. Quero um cinema que acredite que possa surpreender e que acredite que possa mudar esta merda toda. Quero acreditar que posso mudar esta merda toda. - Não quero mais saber do cinema que não é criação.Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
30.9.10
meucoraçãonãosesatisfazcomsonhos,entende?
texto escrito por Mariana Maielo e que, de algum jeito, fala mais sobre mim do que eu jamais seria capaz de dizer
11.9.10
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